Você já falou sobre bullying no seu consultório?

Muito relacionado ao convívio escolar, o bullying é um tipo de agressão repetitiva, que pode ter natureza verbal, física e  psicológica (é comum que as três pareçam juntas). O termo tem origem na palavra inglesa “bully”, que significa “valentão”, e é empregada para definir situações em que a vítima é intimidada ou ridicularizada.

Quando sofre bullying, um adolescente é chamado por apelidos e recebe vários tipos de agressões, que diminuem características físicas, sexualidade ou, simplesmente, seu jeito de ser. A popularização da internet e do celular tornou ainda mais difícil  lidar com a situação, uma vez que as agressões aumentam não só em volume, mas em divulgação. Em resumo, mais gente pode ver.

Divulgada em março de 2021, uma pesquisa feita pela Microsoft mostra que, no Brasil, 43% das pessoas se envolveram em incidentes de bullying digital. O estudo, que investiga o estado da civilidade digital no mundo, foi realizado em 32 países e entrevistou adolescentes (de 13 a 17 anos) e também adultos (18 a 74 anos).

A pesquisa traz outro dado muito importante: 41% dos entrevistados acreditam que a civilidade digital diminuiu devido à pandemia de coronavírus, o que já havia sido apontado por relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) em 2020. Uma consequência do maior uso da internet por conta do distanciamento social.

Ainda que a pesquisa também tenha mostrado que, atualmente, o bullying virtual é uma preocupação entre pessoas das gerações Z (nascidos entre 1995 e 2010) e millennials (nascidos entre 1985 e 2000) – pois é, adultos também fazem bullying – o efeito da prática é ainda mais perigoso entre adolescentes.

Numa fase em que estão formando sua personalidade, se descobrindo e, principalmente, em que precisam ser incentivados a entrar em contato consigo mesmos, meninos e meninas vítimas de bullying estão mais expostos e frágeis para lidar com esse tipo de violência. Fica mais difícil ter saúde física e mental para sair dessa ou até mesmo para pedir ajuda.

Por isso, se você reparar alguma diferença comportamental no seu consultório, uma garota que era mais extrovertida e, agora, parece mais quietinha. Ou até alguma alteração física, como ganho ou perda de peso excessivos, vale ficar em alerta. Conversar, se mostrar aberto e entender o que está acontecendo com ela. O ginecologista, muitas vezes, é o único médico na vida da menina, por isso, pode ajudá-la e, inclusive, encaminhá-la para um tratamento psicológico.

Thiago Theodoro é jornalista há 18 anos. Foi diretor de redação da CAPRICHO e é editor das plataformas digitais do Tarja Rosa.

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