Gravidez na adolescência: informação e acesso podem mudar os altos números no Brasil

Na Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, o Tarja mostra os números do país e explica como é possível mudar esse cenário

Em 2020, um em cada 7 bebês brasileiros nascidos tinham mães adolescentes, ou seja, com idades entre 10 e 19 anos (de acordo com a Organização Mundial da Saúde). Esses dados são do Sinasc, o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos, que também aponta que 1.043 jovens se tornam mães por dia. O número é alto e assusta, mas se compararmos com os relatórios de 2019, eles possuem uma ligeira queda. Por isso a importância de falarmos sobre a prevenção da gravidez.

Nesta terça-feira, dia 1º de fevereiro, deu-se início à Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência – data estipulada pela Lei nº 13.798 desde 2019. Os números são altos, mas já estiveram mais. Ainda assim, continuam preocupantes se comparados a países desenvolvidos. Em 2019, foram quase 420 mil nascimentos de filhos de mães adolescentes (14,7% do total dos partos). Em 2020, foram 380.780 (14% dos partos), e quase 18 mil deles em garotas de 10 a 14 anos. “É uma queda expressiva, mas precisamos considerar que foi um ano pandêmico onde muitos adolescentes sexualmente ativos ficaram mais isolados”, pontua a ginecologista e obstetra Cláudia Barbosa Salomão.

A ginecologista ainda enfatiza que já existe uma queda nesses números desde 2000, especialmente depois de 2014, mas ainda assim é preciso falar sobre prevenção e acesso à informação.

Informação

Em tempos de tecnologia e redes sociais, o acesso à informação é facilitado – e o adolescente tem se interessado mais. “É preciso garantir a disseminação de veículos e plataformas que tenham bons conteúdos”, afirma Cláudia. Aqui, é importante também garantir que essa informação chegue também aos meninos e os responsáveis pelos adolescentes.

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Acesso

A prevenção da gravidez passa pela informação, que já é uma maneira de prevenir a gravidez, mas também está atrelada ao acesso à assistência médica. “Os adolescentes, do ponto de vista orgânico, estão na faixa etária mais saudável. É um público que tende a ter uma lacuna, tanto no âmbito da assistência médica do ponto de vista serviços que atendam essa clientela, como também uma lacuna na formação dos nossos profissionais de saúde”, pontua Cláudia.

E, claro, a contracepção também é importante na prevenção da gravidez – além de todos os fatores mencionados. “Muitas vezes a garota expõe o desejo de contracepção e, pela lacuna na formação dos profissionais clínicos, por exemplo, é encaminhada para um ginecologista. Nesse meio tempo, ela engravida”, acrescenta.

É preciso informar, adolescentes e famílias, e aprimorar os acessos à assistência e à prevenção. Converse em casa, na escola e com suas amigas sobre o assunto.

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